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Os leitores da Poiesis estão convidados para participar dessa Agorá digital no LinkedIn sobre o pandemônio criado pelas fake news. Enquanto uma AgoráIn, nos reunimos para uma conversa de mercado público. Isto é, nos juntamos num espaço para propor ideias e opiniões bem como para bater papo sobre a vida social, política, religiosa e profissional em suas mais variadas facetas. Espero que acompanhem e participem!

Há um certo tempo, a minha atenção tem sido capturada por aquilo que chamo de pandemônio. O significado comum desta palavra é “associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias”. O significado que sugiro relaciona esta palavra ao fenômeno da notícia falsa, ou fake news. Com efeito, significa aassociação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias através de fake news“.

Trata-se de uma associação de gente grande e poderosa, que movimenta, atualmente, milhões em dinheiro e uma rede de pessoas mal intencionadas e “inocentes úteis”, rótulo dado pelo apresentador e humorista Danilo Gentili para quem propaga fake news na boa fé. Os exemplos mais recentes e mais simbólicos de pandemônio são, no exterior, a Cambridge Analytica, ligada aos êxitos do Brexit e da eleição de Donald Trump, e, no Brasil, o chamado gabinete de ódio, com fortes indícios de associação à família Bolsonaro e a eleição presidencial do patriarca.

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Seguindo análises e argumentos de alguns pesquisadores e estudiosos do tópico, que serão apresentados e debatidos com vocês ao longo dos artigos publicados no LinkedIn, o desafio imposto pelo pandemônio é grave. (Por sinal, a rede percebida pelos usuários como sendo a de maior credibilidade dentre as demais) Como educador, professor e pai do Lorenzo e do Lucca, eu diria, gravíssimo!

Ponto de partida

O ponto de partida é encarar que trata-se de um fenômeno contemporâneo grave, gravíssimo. Uma vez que concordamos sobre o status do pandemônio, levanto as seguintes indagações:

  • Qual o desafio? O desafio que se coloca à nossa frente é buscar compreender mais profundamente as raízes desse pandemônio!
  • Qual a finalidade do pandemônio? De maneira geral, o pandemônio objetiva corroer as democracias liberais.
  • Como? Através da manipulação dos sentimentos legítimos das pessoas com o uso de “vírus culturais”.
  • Quais sentimentos, em particular? É o sentimento colérico e irado relacionado a frustração socioeconômica e ao ódio às elites políticas, jurídicas e corporações midiáticas.
  • Qual a origem dessas frustrações? São frustrações variadas. Porém, emergem mais explicitamente as frustrações diante das mudanças tecnológicas, das inovações do mundo do trabalho, da pluralidade social e da mundialização ou globalização dos mercados. 

De qualquer modo, tudo isso é humano, demasiadamente humano, não é? Sim, seria para Nietzsche e é para nós. Entretanto, as ferramentas utilizadas no presente, para o pandemônio, o separa de todo e qualquer evento de cólera e ira social que nos antecedeu na história.

  • Quais as ferramentas do pandemônio contemporâneo? São as estratégias midiáticas de persuasão pautadas na rápida propagação e amplificação nas redes sociais. Estas, por sua vez, desafiam as modernas abordagens humanistas pautadas na vagarosa formação humana.

Justificativa para um projeto auto-destrutivo

Os profissionais de marketing digital e de economia comportamental estão mais familiarizados com essas ferramentas, sem dúvida. Entretanto, o problema central é que as inovações tecnológicas disruptivas foram apropriadas, nos últimos anos, por grupos políticos que, munidos das novas tecnologias de internet, redes sociais e Big Data, tentam se aproveitar de fake newstrollsbots, micromarketing, neuromarketing e propaganda computacional para, ao mesmo tempo, dominar e destruir o espaço público da Agorá.

  • É possível algo que seja auto-destrutivo render bons frutos? Difícil achar os pontos positivos desse projeto. Entretanto, algo motiva os agentes do pandemônio a agirem assim.
  • O que justifica o pandemônio? É a vontade umbilical de manipular mentes e influenciar a opinião pública em uma escala inimaginável, e até mesmo por baixo da mesa, para alcançar seus projetos de poder cultural, político e econômico.

Preocupação fundamental

A preocupação fundamental com o pandemônio é que essa apropriação das poderosíssimas ferramentas digitais pela política vem substituindo a Agorá pelo algoritmo, transformando as relações e os sentimentos humanas em pontos de dados negociados como commodities.

Daí que os impactos humanos e psicológicos na formação do caráter público das crianças bem como nos setores educativos e produtivos, de uma mente infectada pelo pandemônio e governada pelo algoritmo, começam a emergir.

Portanto, reconhecer a gravidade de que existem esses “vírus culturais” sendo espalhados e que podemos estar infectados, sejamos sintomáticos ou assintomáticos, é o primeiro passo para compreendermos esse novo fenômeno que ameaça as democracias liberais. Isso nos ajudará a fortalecer a nossa imunidade cognitiva, prezar por nossa saúde informacional e harmonizar nossas relações sociais e profissionais.

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Sou pai do Lorenzo e do Lucca, fundador e editor na Poiesis, professor universitário na Unimar e autor do livro "Com Ítaca na mente: em busca dos sentidos do ensino"

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